Passaram-se alguns dias depois que perdi a oportunidade de encontrar o "Fantasminha camarada". Descobrimos que ele trabalha como gerente de uma farmácia em tempo integral. Isso quer dizer que sai bem cedo de casa e só volta muito tarde. Mesmo assim, não consigo compreender que jornada de trabalho é tão grande como essa, na minha terra isso se chama escravidão; ou... uma fachada!
Segui minha busca implacável paralela aos estudos. Pensei em fazer um retrato falado ou coisa assim. Todos que já o tinham visto debochavam de mim. Em minha mente veio aquele filme de terror onde todos dizem ter visto uma pessoa, que na verdade está morta, e no desfecho da história apenas um dos jovens se salva - eu, é claro.
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| Um rascunho de como seria as feições de Miguel |
Sempre que estava em meu quarto, de alguma maneira era o momento exato da chegada dele. Como as paredes são à prova de som, nunca o escutava. Quando acordava no meio da noite para beber água, podia ver a luz do seu quarto acessa, de lá vinha um barulho estranho... como se uma televisão estivesse ligada; mas os quartos não têm Tv! Mesmo que fosse apenas um computador, quem em sã consciência, depois de trabalhar 12 horas diárias, passaria a noite toda acordado? Não que eu fique a noite toda bisbilhotando a vida alheia, mas é algo que suponho.
O pior aconteceu na manhã da última sexta-feira. Não ouvi o celular despertar e acordei apressado, pois não queria chegar atrasado na aula. Já passara das 08:00 e fui em direção ao banheiro - há um banheiro no andar de cima e outro no andar de baixo - para minha surpresa me deparei com algo, no mínimo, estranho.


